“Tenho esperança que um dia a gente vai saber onde estamos e quantos somos.”
Joanda Gomes, Pernambuco, Brasil
BRASIL: Territórios, estudos e evidências geradas
No Brasil, apesar dos avanços no controle vetorial, a doença de Chagas segue como um desafio persistente de saúde pública. Estimativas do Ministério da Saúde apontam prevalência de 1,0% a 2,4% da população, o que equivale a cerca de 1,9 a 4,6 milhões de pessoas infectadas por Trypanosoma cruzi.
A doença mantém elevada carga de mortalidade no país e a transmissão aguda ainda ocorre em diferentes estados, com maior concentração recente na região Norte. No CUIDA Chagas, a atuação no Brasil integra diagnóstico, cuidado e participação comunitária, conectando Atenção Primária, serviços especializados e parceiros locais.
Estudos no Brasil
Estudo de Implementação
Contexto/justificativa: A eliminação da transmissão vertical e o cuidado integral em doença de Chagas dependem de fortalecer fluxos de diagnóstico, tratamento e seguimento nos serviços da rede de atenção, principalmente da atenção primária, de forma acessível e integrada.
Objetivo: Gerar evidências sobre a viabilidade e a eficácia de intervenções de diagnóstico, tratamento e cuidado para contribuir com a eliminação da transmissão vertical da doença de Chagas e promover de forma efetiva o cuidado integral de pessoas acometidas e comunidades em risco.
Cenários parceiros: No Brasil este estudo está presente em 5 municípios um por macrorregião conforme observa-se no mapa. A Atenção Primária é o eixo central do estudo, integrando as intervenções do projeto às iniciativas já existentes.
Público-alvo: Mulheres em idade fértil, seus filhos e filhas e contatos domiciliares.
Metodologia/abordagem: Abordagens de implementação específicas para cada contexto (em vez de um modelo único), considerando a diversidade dos modelos de gestão, das realidades geográficas e das necessidades da população.
Diferencial: Promove sustentabilidade e integração de longo prazo no sistema público, preservando adaptabilidade para futura ampliação.
Resultado estimado: Modelos de implementação adaptáveis a diferentes realidades, integrando o cuidado em doença de Chagas às estruturas de saúde pública.
Dados em destaque: Até fev/2026: +24.500 pessoas triadas | +440 gestantes triadas.
Depoimento: “Nosso trabalho se faz com o maior engajamento possível… o nosso papel como pesquisadores não é isolado, mas comprometido com a mudança social.” — Eliana Amorim, gerente do estudo de implementação no Brasil.
Estudo de validação de algoritmo diagnóstico com o uso de testes rápidos
Contexto/justificativa: Diagnosticar e tratar a doença de Chagas crônica é fundamental para controlar a doença, prevenindo sintomas e reduzindo a transmissão. O acesso ao diagnóstico ainda é limitado, pois o padrão é complexo e requer pelo menos dois testes laboratoriais (ex.: ELISA ou IFA), realizados em instituições específicas. Testes rápidos estão disponíveis, mas muitas vezes restritos à triagem e dependentes de confirmação laboratorial. Evidências sugerem que algoritmos com testes rápidos podem ajudar a fechar diagnóstico e ampliar o acesso em regiões endêmicas e remotas.
Objetivo: Identificar e validar um algoritmo de diagnóstico baseado em testes rápidos, capaz de diagnosticar doença de Chagas crônica em zonas remotas de países endêmicos, como alternativa aos algoritmos atuais baseados em laboratório.
Cenários parceiros: Implementado na Bolívia e no Brasil. No Brasil participam 7 centros públicos localizados em municípios e estados diferentes.
Público-alvo: Pessoas afetadas pela doença de Chagas que atendam aos critérios de inclusão do estudo.
Metodologia/abordagem: Validação do algoritmo em condições reais de serviço, buscando reduzir etapas e tempo até a confirmação diagnóstica.
Diferencial: Aproxima o diagnóstico dos territórios e das pessoas, reduzindo barreiras logísticas e acelerando o acesso ao cuidado.
Resultado estimado: Algoritmo diagnóstico validado que utiliza testes rápidos, reduzindo o tempo necessário para diagnosticar uma pessoa acometida.
Dados em destaque: Até dez/2025: +1.000 participantes | No Brasil, fase 2 encerrada.
Depoimento: “Algoritmos diagnósticos que incluem o uso de testes rápidos são inovações necessárias para agilizar e facilitar a prevenção e diagnóstico oportuno.” — Franciana Rosa, PI do estudo de validação.
Ensaio Clínico BENBRASIL
Contexto/justificativa: O tratamento da doença de Chagas crônica ainda enfrenta desafios persistentes (acesso, adesão, eventos adversos e lacunas de evidência em diferentes contextos do país). O BENBRASIL busca gerar evidências sólidas considerando a diversidade regional do Brasil.
Objetivo: Gerar evidências científicas sobre a eficácia das opções de tratamento no Brasil, contribuindo para o aprimoramento das diretrizes nacionais e regionais de tratamento.
Cenários parceiros: O estudo ocorre em 5 centros do Brasil, um por macrorregião, conforme indicado no mapa do ensaio.
Público-alvo: Pessoas acometidas pela doença de Chagas que atendam aos critérios de inclusão do protocolo.
Metodologia/abordagem: Estudo prospectivo para avaliar eficácia, segurança e farmacocinética do benzonidazol nas cinco macrorregiões. Inclui comparação de fase II, randomizada, duplo-cega e aninhada entre benzonidazol e nifurtimox, com seguimento de 12 meses (calendário de 9 visitas).
Diferencial: Desenho multicêntrico nacional e abordagem comparativa (aninhada) que fortalece a qualidade da evidência para decisões clínicas e programáticas.
Resultado estimado: Evidências científicas para orientar o aprimoramento das diretrizes nacionais e regionais sobre tratamento para doença de Chagas crónica
Dados em destaque: Até dez/2025: 394 recrutados | 196 tratamentos finalizados.
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